Relógio no criado-mudo

nonde outrora tu repousavas
hoje se acumulam teus pertences
junto a tantos objetos
do apartamento
que aos poucos perde
os últimos resquícios
de tua morada aqui

o relógio no teu criado-mudo
continua diligente
seu tiquetaquear
indiferente à tua ausência
tique-taque
os perfumes sobre o móvel
tique-taque
os bichos de pelúcia
segurando caixas de leite
tique-taque
as lágrimas pingando sobre o assoalho
lavando aos poucos a dor da perda
e deixando apenas a saudade
tique-taque
tique-taque
tique-taque

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Esta entrada foi postada em poemas.

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